13 de abril de 2007
Saudade
"Devemos ter feito algo muito grave,
Para sentirmos tanta saudade...
Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Uma mordida, um beliscão,
Dói bater o minguinho no pé da mesa,
Dói morder a língua, dói cólica, tendinite e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de uma irmã que mora longe,
Saudade de uma boneca da infância,
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais,
Saudade do avô que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu,
Saudade de uma cidade,
Saudade de um cachorrinho de estimação,
Saudade de uma amiga que nunca mais se viu
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem estas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, da voz, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar no quarto e ela na cozinha, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela pra escola, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor se torna grande demais, ou torna-se menor,
Sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua usando aquele creme com cheirinho gostoso.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por preguiça.
Não saber se ela usa ainda aquela sainha rosa.
Não saber se ele continua usando samba-canção para dormir.
Não saber se ela foi à consulta com o ginecologista como prometeu.
Não saber se ele tem comido bem por causa daquela mania de economizar,
Se ele tem ido todos os dias ao curso, se aprendeu a mexer no MP3, e tem cuidado melhor de seus calçados.
Se ela aprendeu a andar de skate,
Se ele continua preferindo Trident de canela, Coca-cola e usar o teclado ao invés do mouse, se ela continua detestando usar salto alto,
Se ele continua amando, se ela continua odiando cebola.
Se ela continua pintando o cabelo, e ele usando creme pra espinhas...
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos,
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento,
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música,
Não saber como vencer a dor de um vazio que nada preenche.
É saber que ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ela está mais magra, se ele está mais belo.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.
Saudade é isso que eu estive sentindo enquanto escrevia
E o que você provavelmente estará sentindo depois que acabar de ler."
gostou? eu que fiz.
saudade do meu guri...
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